É Filme: Uma Manhã Gloriosa

· Por Isabelle Vitorino
Às vezes eu tenho a impressão de que não tenho sorte para escolher filmes... Os leitores que me acompanham sabem bem que eu sou pior para classificar um filme do que um livro, mas pessoal, não é porque eu queira ser chata, mas sim porque eu acho tudo muito parecido e muito monótono, parece até que existe uma fôrma para torná-los chatos e entediantes seja qual for o gênero proposto. Sem contar que eu já deveria ter percebido desde que recebi a indicação do filme Garota Infernal (quem quiser conferir a resenha que eu fiz clique aqui) que quanto maior a euforia a cerca de um longa, maior a chance de eu achá-lo péssimo!

Título: Uma Manhã Gloriosa
Título original: Morning Glory
Lançamento: 2011 (EUA)
Direção: Roger Michell
Atores: Rachel McAdams, Harrison Ford, Diane Kaeton, Patrick Wilson, Jeff Goldblum, John Pankow.
Duração: 107 min.
Gênero: Comédia
Becky Fuller (Rachel McAdams) é uma produtora de televisão que foi demitida de seu programa de notícias, mas consegue uma vaga para tentar levantar a moral de outro em uma nova emissora. O único problema é que para conseguir isso terá que fazer muitas mudanças, entre elas, convencer o premiado Mike Pomeroy (Harrison Ford) a apresentar matérias de moda, amenidades, de conteúdo fraco e, para piorar, ao lado de uma ex miss Arizona (Diane Keaton), seu desafeto. Com pouco tempo para reverter a queda de audiência, Becky terá que se virar para driblar o humor de seu elenco, ser reconhecida profissionalmente e ainda viver um novo amor.

Becky é uma produtora de televisão que vê seus sonhos em risco quando é demitida repentinamente. Desempregada, ela se mantém firme no propósito de ter uma carreira de sucesso, mesmo que para isso ela tenha que sacrificar a sua vida pessoal. Após algum tempo de procura, uma vaga lhe é oferecida, mas as coisas são mais difíceis do que ela esperava, pois além de ter a dura missão de salvar um programa matinal ela tem que encontrar o equilíbrio perfeito entre a ex miss Colleen, que ao que parece não entende nada de jornalismo, e o super premiado e mal humorado Mike, que está na “geladeira” da emissora, bem como, refrear a atração que sente pelo charmoso Adam, um colega de trabalho que é tudo que ela sempre sonhou ser no campo profissional. 

Eu não sei por que, mas falar do que não se gosta é pior do que falar daquilo que se admira. Relembrando as cenas do filme enquanto estou escrevendo não me lembro de uma sequer que tenha conseguido com que eu risse de verdade. Achei o longa tão infeliz que me senti ultrajada por ter assistido. A história é batida, já foi contada e recontada sob diversos prismas, fato que ao que a meu ver não só tornou a trama em uma grande junção dos mais diversos clichês que qualquer pessoa que já assistiu aos filmes da Sessão da Tarde logo seria capaz de identificar, como também, revelou a notória falta de originalidade a qual a roteirista submeteu o enredo principal que tinha tudo para ser desenvolvido de forma satisfatória. Confesso que essa falta de tato com o texto me surpreendeu muito, visto que Aline Brosh McKenna também é roteirista de O Diabo Veste Prada, filme que entrou para lista dos meus favoritos por saber dosar bem o romance e a comédia. 

É claro que ela agradou com a construção de uma personagem feminina que tem seu trabalho como uma compulsão (principalmente por ser uma faceta feminina relativamente nova e que é pouco abordada nos cinemas), mas peca quando faz disso uma característica irritante e não algo que nos faz rir e torcer para que a personagem consiga realizar seus sonhos profissionais para então relacionar-se com alguém de forma saudável, até porque Becky mostra-se uma pessoa que tem problemas com todos, incluindo, a família, amigos e seus companheiros de trabalho, dando-nos a impressão de que estamos vendo um retrato de uma pessoa doente e obsessiva por uma carreira e não apenas a história de uma mulher ambiciosa que se dispôs a fazer concessões em sua vida pessoal em busca do seu lugar ao sol. Todos esses pontos somados ao mau desenvolvimento da interação entre os personagens Colleen e Mike (que eram os únicos pelos quais eu nutria esperanças) me fizeram ter a certeza de que já não se fazem mais comédias como antes.


Uma Manhã Gloriosa é o tipo de filme que eu classificaria como sessão da tarde, mas ao contrário dos demais da categoria, este apresenta uma história mal desenvolvida apesar do grande potencial. O roteiro elaborado de forma a enaltecer a chatice da personagem principal faz com o telespectador se sinta preso a uma história de uma workaholic sem carisma, deixando de lado o principal trunfo que seria explorar a comédia presente no enredo. Em suma, o filme me deu sono durante todo o tempo e eu o recomendo a todo aquele que sofre de insônia assim como eu (risos)!


Playlist:

--- Isabelle Vitorino ---
Isabelle Vitorino — Compartilhando o que leio, sinto e penso.

Comentários

Sua opinião é bem-vinda — comentários passam por aprovação antes de serem publicados.

Comentários

Carregando comentários…

Seu e-mail não é exibido publicamente. Comentários passam por aprovação antes de aparecerem.