Não
é a novidade nenhuma para vocês, leitores do Blog Mundo dos Livros, que eu sou
incondicionalmente apaixonada por rock’n
and roll. Minhas playlists são
compostas em grande maioria por bandas que fizeram história e que revolucionaram
sua época relatando a realidade que estavam vivendo, ou até mesmo, as suas
próprias opiniões sobre a sociedade na qual viviam de forma muito singular. E
para minha surpresa, eu encontrei um livro que além de falar sobre as minhas
bandas prediletas, foge dos termos biografia e almanaque, e traz em suas
páginas um retrato do cotidiano de um garoto rebelde e de uma avó extremamente
apaixonada pelo som mais contagiante de todos os tempos: o rock!
Título: Leo e as Caixas
de Música
Autor: Ricardo Prado
Editora: Casa da Palavra
Páginas: 168
Ano: 2010
Misto de Harry Potter com O Mundo de Sofia, a série de livros Trilhas: uma viagem musical, promete ser o novo hit do público pré-adolescente. No primeiro livro da série, os leitores são apresentados ao Leo, um típico adolescente que se vê “abandonado” pelos pais, que vão morar no exterior e o deixam no Brasil com a avó. Numa típica crise de revolta contra a tirania do pai e a passividade da mãe, Leo acaba salvo do tédio e da solidão pela música, que passa a compartilhar com os amigos e a avó, uma surpreendente roqueira.
Leo é um garoto de 14 anos que em uma manhã
qualquer acorda e percebe que os pais foram embora e o deixaram sob a
responsabilidade da sua avó sem despedirem-se ou dizerem qualquer palavra
que mostrasse que eles realmente se importavam com ele. Tomado por uma fúria
ele passa a traçar planos para vingar-se do seu pai, por achar que este não o
amava e que tudo o que fazia era para reafirmar isto. Contudo, após decidir
ajudar um amigo que começava a descobrir os sintomas de um primeiro amor, ele é
presenteado por sua avó com uma coleção inimaginável de discos que fazem parte
da história do som que ele amava: o rock. E é ao som de músicas que embalaram
gerações e através da leitura de artigos e críticas produzidas pelo seu pai que
Leo vai descobrindo que suas conjecturas a respeito do seu pai podem estar
completamente erradas.
Quando decido ler um livro, eu sempre analiso o
meu estado de espírito, por duas vezes nessa semana abandonei um livro para ler
outros que me pareciam mais atraentes, mas ao pegar Leo e as Caixas da Música
da minha estante e iniciar a leitura, eu me dei conta de que era exatamente
aquilo que eu estava precisando ler. Sei que muita gente não gosta de livros
considerados infanto-juvenis, mas eu não tenho problemas com isso, afinal, em
tempos de Dia das Crianças há de se confessar de que – parafraseando os Titãs –
em cada um de nós, algo de uma criança e é por isso, que eu sempre me sinto à
vontade em ler as aventuras e as peripécias de pré-adolescentes, até porque... relembrar
é viver (não liguem, hoje eu estou nostálgica e estou lembrando até mesmo dos
bordões que marcaram minha infância).
Uma das coisas que mais me chamaram atenção foi o
fato do autor conseguir entrelaçar o momento que Leo estava vivendo com canções
que pareciam retratar exatamente aquilo que ele estava sentindo, por diversas
me peguei rindo com os pensamentos dele e com uma música que os traduzia à
perfeição como se aquilo fosse de fato a sua história sendo contada através de
uma canção. Além disso, ver as informações sobre tudo que eu gosto sendo
contada de uma maneira tão leve me fez ficar conectada aquelas páginas de modo
voraz. Eu poderia me estender por aqui falando sobre quão surpreendente esse
livro foi para mim, mas eu vou resumir em poucas palavras: Leiam, vocês não vão
se arrepender!
Leo e as Caixas de Música é diferente de tudo que
eu já vi em termos de literatura nacional. Com uma linguagem elaborada ao ponto
de nos fazer ter a certeza de que o autor sabe do que fala (o que me leva a
crer que ele é um roqueiro), o enredo nos conduz por uma história que corre
paralela as descobertas de um garoto através do seu amadurecimento, e
principalmente, que trata sobre o amor em todas as suas formas.
[...] Mas era eu quem estava descobrindo e compreendendo o Led Zeppelin. Eles conseguiram fundir rock pesado com a música folclórica inglesa, fazendo uma revolução, e a influência deles naquele momento pode ser comparada à dos Beatles. Eles podiam ser o que quisessem e decidissem a cada momento – violentos, suaves, de uma sutileza extrema ou da mais brutal pancadaria. Para isso não basta vontade, companheiro, tem que ter música correndo nas veias, livre e solta, dando voltas pelo corpo, por toda a imaginação e sem nenhum medo. E eles sabiam tudo – eram músicos de primeira. Pág. 110
Playlist:
P.S. Feliz Dia das Crianças!!!
--- Isabelle Vitorino ---


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