Resenha

Resenha: A Culpa É Das Estrelas por John Green

· Por Isabelle Vitorino

Quando um livro te surpreende e te toca de forma profunda, é impossível achar as palavras corretas para falar sobre ele, principalmente, porque descrevê-lo é impossível. A Culpa É Das Estrelas chegou as minhas mãos por um impulso de saber o porquê tantas pessoas estavam encantadas com essa história. E no final eu só podia pensar: a culpa é toda e completamente das estrelas... destino... acaso... ou o quer que seja que vocês queiram chamar.

Título: A Culpa É Das Estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Ano: 2012
Em A Culpa é das Estrelas, Hazel é uma paciente terminal de 16 anos que tem câncer desde os 13. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

Hazel é uma paciente terminal de câncer pulmonar, aos dezesseis anos ela entende que terá que partir em algum momento e que como consequência deixará seus pais, as pessoas que ela mais ama, para trás. Porém, mesmo que ela não queira, ela vive segundo o lema do Grupo de Apoio a Crianças com Câncer que em poucas palavras é: viver o máximo do dia hoje. Por circunstâncias especiais, apesar da pouca idade ela já frequenta a faculdade e possui uma inteligência elevadíssima e um senso de humor negro bem refinado e desenvolvido. Entretanto, sua vida como um todo é tranquila, ela possui poucos amigos e não sai de casa sozinha, mas tudo isso muda quando ela conhece Augustus, um garoto lindo que possui um sorriso e andar charmosos e que sabe muito bem como utilizá-los para encantar as pessoas, e é com ele, um garoto que adora metáforas, que ela começa a viver a vida intensamente e descobrir o poder de um primeiro amor.

Quando eu peguei esse livro eu já esperava um choque, um livro extremamente dramático e que eu iria me sentir sufocada ao extremo, mas não foi isso o que aconteceu, é complicado pôr em palavras aquilo que não pode ser definido, mas de verdade, quando penso em John Green e em sua escrita, a única palavra além de genial que vem a minha mente é especial. Porque é com palavras simples e fluídas que ele construiu uma história inesquecível que faz você sorrir e chorar e nem se dar conta de como todas aquelas emoções estão transpondo todas as suas barreiras.

Hazel é uma garota tão diferente de todas as personagens que eu já acompanhei, que eu gosto de pensar que se não fosse o câncer ela ainda teria a personalidade que tem, ela é capaz de sentir um amor tão profundo que ela conseguiu agir conforme Shakespeare um dia escreveu e queria de todos os modos deixar Augustus partir, não esperando que ele voltasse, mas sim desejando que ele não se magoasse. Mas como todo mundo sabe, quando duas pessoas se apaixonam, por mais que alguém não queira magoar ou si magoar, tal feito é impossível, pois quando há sentimento tudo fica mais delicado e precioso, e é exatamente assim que pensa Augustus e ele está determinado a permanecer na vida de Hazel independente do que os aguarda no futuro. 

E sem sombra de dúvidas é isso que torna o livro tão especial, alguns podem achar que é o fato de ser um romance entre dois adolescentes que estão enfrentando um câncer, mas para mim, não é, o que o torna memorável é a forma poética de narrar um amor puro e sem interesse, nenhum deles amam por saber que são amados, não, eles amam desejando serem amados, desejando darem o seu melhor para o outro, desejando estar com o outro por tanto tempo quanto seja possível, para mim isso é amor na sua forma mais pura e verdadeira, é o tipo de amor que eu gostaria de ver e viver.


A Culpa É Das Estrelas é um surpreendente e cativante livro jovem adulto, diferente da fórmula comumente utilizada pelos autores do gênero, John Green emociona e diverte o leitor em proporções iguais. Com uma escrita leve, apesar de tratar de um tema delicado, ele consegue com que você se sinta preso aquelas páginas mesmo sabendo que um final trágico está próximo e que ele é extramente necessário para dar ao livro um toque realista que um simples final felizes não conseguiria. E diante de tal quadro eu só posso finalizar com a seguinte frase: John Green é genial!


Não posso falar da nossa história de amor, então vou falar de matemática. Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,2 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor que costumávamos gostar nos ensinou isso. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus, queria mais números para o August Waters do que ele teve. Mas Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso. Pág. 235

--- Isabelle Vitorino ---
Isabelle Vitorino — Compartilhando o que leio, sinto e penso.

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