Resenha

Resenha: Delírio por Lauren Oliver

· Por Isabelle Vitorino

É fácil gostar de uma história. Os elementos para tanto são bem básicos: boa narrativa, bons personagens e um enredo coerente. Contudo, para amar um livro é necessário muito mais. Tanto que apenas os mestres da escrita conseguem atingir tal proeza. E é com prazer que após a leitura de Delírio, eu digo e repito: Lauren Oliver é uma mestra!

Título: Delírio 
Série: Delírio #1
Autor (a): Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano: 2012
Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?.

Na cidade de Portland, estado do Maine, nos Estados Unidos da América. Uma garota chamada Lena espera ansiosamente o dia em que finalmente será curada da pior doença que a terra já viu: o amor. Ao contrário de muitos não curados, como sua melhor amiga Hanna, ela não tem dúvidas que a cura é a verdadeira salvação das pessoas. Afinal, o amor já havia destruído sua vida uma vez quando tirou a sua mãe de seu convívio, e ela não seria tola o bastante para permitir que a tragédia se abatesse novamente sobre ela. Não. Ela iria passar pelas avaliações, faria a intervenção, se graduaria e se casaria, conforme o que o governo mandasse, porque ela sabia que eles fariam apenas o que fosse melhor para toda a população.

Contudo, algumas semanas antes de sua vida tomar um caminho irremediável, ela conhece Alex. A princípio ela não acredita que está em perigo, já que tem sua vida completamente traçada. Mas ao conviver com esse garoto de opinião tão distinta da maioria a faz perceber que durante muito tempo sua vida não foi nada mais que uma mentira e que nem tudo que parece é. Agora ela tem que correr contra o tempo para viver intensamente cada segundo de sua vida, pois independente da sua escolha, o seu destino estará para sempre a mercê da morte.

Lauren Oliver é uma escritora sem igual, o seu texto transborda poesia mesmo sendo esse um livro de estilo prosa e isso se comprova facilmente com a facilidade que ela tem de mesmo nos momentos mais difíceis da personagem, ela conseguir lançar algo poético sobre aquilo que poderia ter sido apenas uma cena chocante. Sua fluidez de escrita é tanta que ela consegue fazer com que nós percebamos o amadurecimento da personagem mesmo que ela não conduza Lena a um tipo diferente de narrativa e que execute essa transformação apenas ao mudar as atitudes e pensamentos claustrofóbicos da personagem, em coragem e um amor sem igual que pode ser notado através de palavras delicadas e de descrições poetizadas de tudo que acontece ao seu redor. 

E por falar em Lena, é válido dizer que é provável que o leitor se sinta um pouco estranho no início do livro, afinal, ela fala do amor de um modo tão frio que é natural sentir o choque da indiferença ao ler o quão doentio ela acha o fato de alguém sofrer por que ama e não é amado, ou porque perdeu alguém que lhe é importante. Mas devo dizer também que isso vai se modificando gradativamente no decorrer da história por que é através dos olhos dela que conhecemos Alex e notamos todas as suaves mudanças que ele exerce sobre ela, principalmente porque ao invés dele tentar conquistá-la através de declarações exacerbadas de sentimentos, ele tenta demonstrar a todo o instante o quanto ela é importante para ele. E acredito que é isso que o torne tão atraente, o fato de ele pensar nela e em respeitar as suas decisões, independente se concorda com aquilo ou não.

Confesso que fiquei tão encantada com ele que eu não pude evitar chorar compulsivamente com o final do livro. Sério pessoal, acho que não chorava tanto desde que li A Culpa É Das Estrelas e é por isso mal posso esperar para ler Pandemônio que com certeza, promete ser um livro de tirar o fôlego. E antes de me despedir, gostaria não apenas de indicar o livro, como também, de aconselhar para todo aquele que for lê-lo ficar próximo de uma caixa de lenços quando as últimas 50 páginas estiverem chegando, eu tenho a mais absoluta certeza que ela será necessária.


[...] Dizem que antigamente o amor levava as pessoas à loucura. Isso é ruim o bastante. A Shhh também conta histórias sobre aqueles que morreram por causa de amores perdidos ou nunca encontrados, e é isso que me assusta. É o mais mortal de todos os males: você pode morrer de amor ou da falta dele. Pág. 9

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--- Isabelle Vitorino ---
Isabelle Vitorino — Compartilhando o que leio, sinto e penso.

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