Resenha

Resenha: O Começo do Adeus por Anne Tyler

· Por Isabelle Vitorino

Quando comecei a ler o livro O Começo do Adeus eu tinha uma imagem pré-concebida dele que se ajustava perfeitamente a proposta da sinopse. Contudo, com o decorrer da leitura a história apresentada foi se desmistificando do que a sinopse relatava e eu só pude lamentar, já que eu preferia muito mais a trama apresentada nela, a triste realidade do desenvolvimento do enredo feito por Anne Tyler.

Título: O Começo do Adeus
Autor (a): Anne Tyler
Editora: Novo Conceito
Páginas: 208
Ano: 2012
Anne Tyler nos leva a um romance sábio, assustador e profundamente tocante em que descreve um homem de meia-idade, desolado pela morte de sua esposa, que tem melhorado gradualmente pelas aparições frequentes da mulher — na casa deles, na estrada, no mercado. Com deficiência no braço e na perna direita, Aaron passou sua infância tentando se livrar de sua irmã, que queria mandar nele. Então, quando conhece Dorothy, uma jovem tímida e recatada, ele vê uma luz no fim do túnel. Eles se casam e têm uma vida relativamente modesta e feliz. Mas quando uma árvore cai em sua casa, Dorothy morre e Aaron começa a se sentir vazio. Apenas as aparições inesperadas de Dorothy o ajudam a sobreviver e encontrar certa paz. Aos poucos, durante seu trabalho na editora da família, ele descobre obras que presumem ser guias para iniciantes durante os caminhos da vida e que, talvez para esses iniciantes, há uma maneira de dizer adeus.

Aaron é um homem de meia-idade que acaba de perder sua esposa e está tentando dar o máximo de si para superar o ocorrido. Contudo, sua existência solitária o faz questionar todas as particularidades do seu relacionamento e o impele a desejar que Dorothy ainda estivesse ao seu lado. O que ele não esperava é que em um dia qualquer fosse encontrá-la novamente, mas a felicidade por vê-la de novo é sobreposta pelo fato dele não saber por que ela voltou. As suas conjecturas vão desde o seu isolamento social a uma possível ligação mantida entre eles após a morte de Dorothy. E enquanto ele não encontra uma resposta racional para toda essa loucura, ele se vê de frente com a dura verdade que é: o seu passado não era tão feliz quanto as lembranças faziam parecer.

Quando comecei a ler este livro eu pensei seriamente que iria encontrar um relato de alguém emergindo das sombras de um luto e que estava tentando enxergar todos os pontos cegos que fizeram dele um viúvo. Entretanto, não foi isso que encontrei. Senti que apesar da escrita de Anne ser leve e fluída, a história era tão monótona em alguns pontos que uma leitura dinâmica foi necessária para que eu não acabasse dormindo. Para mim, o maior problema do livro é a falta de carisma do personagem que narra a história, porque sim, em um livro onde a premissa é a dor e a imersão em uma jornada, cujo objetivo principal é o autoconhecimento, o leitor é engolido pelos pensamentos e memórias de uma pessoa chata, pessimista e extremamente grossa.

A forma caricata com que ele descreve as pessoas ao seu redor me incomodou muito, principalmente porque a maioria daquelas pessoas só estava tentando ajudá-lo. E não vou nem entrar na questão dele ser orgulhoso porque queria mostrar que apesar de sua deficiência era capaz de ter autonomia, porque o caso relatado pela autora era mais questão dele ter essa, tão horrenda, ignorância como um traço muito forte de sua personalidade a uma forma de se proteger do sofrimento, como a autora tenta inabilmente transparecer através da narrativa. Por fim, tenho que falar que o final foi totalmente apressado e que eu ainda não estou convencida do que a autora quis fazer com aquela junção no último capítulo. A única coisa que eu realmente gostei no livro foi a mensagem que ele traz – apesar dela só ter sido trabalhada bem no finalzinho do livro – que é: valorize as pessoas que estão ao seu redor hoje, porque você nunca sabe quando elas partirão da sua vida para sempre.




Mas ponha-se em meu lugar: pense em uma pessoa que você perdeu e de quem vai sentir saudade até o fim de seus dias e então imagine encontrar essa pessoa em público. [...] Você não questionaria sua sanidade, porque não suportaria pensar que não é real. E com certeza não exigiria explicações, nem alertaria as pessoas ao redor ou estenderia a mão para tentar tocá-lo, nem que sentisse que um toque valeria desistir de qualquer coisa. Você seguraria a respiração. Ficaria o mais imóvel possível. Pediria à pessoa amada que não fosse embora de novo. Pág. 153

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--- Isabelle Vitorino ---
Isabelle Vitorino — Compartilhando o que leio, sinto e penso.

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