Resenha

Resenha: Alma? por Gail Carriger

· Por Isabelle Vitorino
Quando recebi o livro ‘Alma?’ e vi um comentário que dizia: “A série de steampunk mais cultuado do mundo”, foi impossível refrear o pensamento de que aquela era uma grande responsabilidade para autora, principalmente porque ela tinha que conquistar os leitores desde o primeiro livro e como vocês já devem saber – sendo o primeiro livro apenas a introdução para todo o universo da série –, a maioria dos autores pecam e não conseguem evidenciar nele todo o potencial da história. Todavia, após a leitura percebi que Gail Carriger não só conseguiu me conquistar, como também, me mostrou o porquê de ter uma frase tão impactante ligada ao seu nome.

Título: Alma? 
Série: O Protetorado da Sombrinha #1
Autor (a): Gail Carriger
Editora: Valentina
Páginas: 308
Ano: 2013
Alexia Tarabotti enfrenta uma série de atribulações sociais, quiproquós e saias justas (embora compridíssimas) em plena sociedade vitoriana. Em primeiro lugar, ela não tem alma. Em segundo, é solteirona e filha de italiano. Em terceiro, acaba sendo atacada sem a menor educação por um vampiro, o que foge a todas as regras de etiqueta. E agora? Pelo visto, tudo vai de mal a pior, pois a srta. Tarabotti mata sem querer o vampiro ― ocasião em que a Rainha Vitória envia o assustador Lorde Maccon (temperamental, bagunceiro, lindo de morrer e lobisomem) para investigar o ocorrido. Com vampiros inesperados aparecendo e os esperados desaparecendo, todos parecem achar que a srta. Tarabotti é a responsável. Será que ela conseguirá descobrir o que realmente está acontecendo na alta sociedade londrina? Será que seu dom de sem alma para anular poderes sobrenaturais acabará se revelando útil ou apenas constrangedor? No fim das contas, quem é o verdadeiro inimigo, e... será que vai ter torta de melado?

Alexia Tarabotti é o tipo de mulher que passa completamente despercebida nos bailes da alta sociedade londrina. Com 26 anos de idade, solteirona, pele morena e um nariz protuberante, ela não podia esperar outra coisa. E é por isso que a decisão de tomar seu chá com torta de melado na biblioteca não poderia ser nada mais nada menos, que perfeita. O que ela não esperava era ser atacada por um vampiro que além de não ter o mínimo senso de moda, não sabia da sua condição de sem alma e ainda ousava cecear em sua presença! Contudo, ao contrário de outras moçoilas, a srta. Tarabotti sabia muito bem se defender e não teve o menor pesar em usar sua sobrinha e seus palitos de cabelo para matar essa criatura tão ousada. Mas é a partir desse fatídico homicídio realizado em legítima defesa que ela encontra novamente o Lorde Maccon, um lobisomem alfa, mau humorado, lindo e... responsável por investigar a confusão que ela se meteu que tem todos os indícios de fazer parte de uma trama muito maior.

Acredito que assim como eu, muitos leitores estão saturados de livros com temática sobrenatural por sempre terem a impressão de que estão lendo a mesma história sendo que contada por um autor diferente, com uma capa e um título diferenciado. Mas se nesse momento você estiver pensando isso de ‘Alma?’ pode esquecer já! Pois para minha surpresa foi entre as páginas desse livro que vi que sim, é possível um autor explorar criaturas já conhecidas no mundo literário sem cair nas garras do clichê.

Para começar, temos como personagem principal a Alexia Tarabotti, ou apenas srta. Tarabotti, uma dama da Era Vitoriana que possui uma personalidade extremamente forte e uma língua afiadíssima. E como se isso não bastasse, ela ainda é uma preternatural – ser que não é sobrenatural tão pouco natural – e tem o dom de anular os poderes de todas as criaturas sobrenaturais, o que acaba envolvendo-a em grandes e divertidas confusões. Contudo, é quando o Lorde Maccon entra em cena que o leitor se rende totalmente aos encantos dela, já que ela não economiza nas brigas e quase sempre protagoniza ao lado dele as cenas mais cômicas do livro. Para a felicidade do leitor um romance tórrido entre os dois também é explorado e como a garota romântica que sou, os momentos em que eles ficaram juntos me arrancaram vários suspiros. Ademais, a autora também soube desenvolver as características dos personagens secundários e tornou cada um peculiar ao seu modo, já que temos desde um vampiro gay a um cientista que planeja descobrir o peso da alma de cada ser vivo.

Narrado em terceira pessoa e com uma linguagem madura, ‘Alma?’ é um steampunk que traz uma trama rica e que possui um verdadeiro plano de fundo. Nele, a autora explorou os mais diversos assuntos, sendo o universo das ciências o principal deles. Contudo, ela faz isso de forma tão leve que a leitura em nenhum momento ficou morosa, pelo contrário, a forma como ela abordou o tema paralelo ao modo em que ela deu pistas para a resolução do enigma do livro que é o aparecimento e desaparecimento de vampiros e lobisomens, só fez com que eu me se sentisse impelida a concluir a leitura sem demora. 

Uma curiosidade a respeito dessa história é que os seres sobrenaturais vivem livremente e até possuem um órgão responsável por gerir todos os regulamentos que essas criaturas possuem, o DAS, que é chefiado por ninguém menos que o Lorde Maccon. Mas não é só isso, a autora foi além e até escreveu uma aparição da rainha Vitória no seu livro e posso dizer desde já, acredito que ela vai ter mais participações nos próximos volumes da série.

Infelizmente não posso falar muito mais do que isso para não soltar spoilers, mas eu queria que vocês soubessem que eu realmente adorei o livro. A leitura foi tão diferente das que eu já tinha feito que assim que acabei de ler a última página senti aquele vazio próprio de quem se apaixona por uma história, sabe? Mal posso esperar para que os próximos volumes sejam lançados aqui no Brasil, estou muito ansiosa para saber o que aconteceu depois daquele final de tirar o fôlego. Sendo assim, encerro por aqui fazendo um pedido para você que ainda não leu o livro: Leia ‘Alma?’ já! Tenho certeza que você não vai se arrepender.


[...] Ali estava, concluiu a srta. Tarabotti, um verdadeiro monstro.
– Mas – sussurrou ela – eu é  que sou sem alma...
Então, deixou a sombrinha cair e mergulhou na escuridão. Pág. 204

Playlist:

Birdy – Young Blood

--- Isabelle Vitorino ---
Isabelle Vitorino — Compartilhando o que leio, sinto e penso.

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