Desde meados de 2011 que os livros distópicos se tornaram um sucesso absoluto de vendas nas livrarias de todo o mundo. E como não poderia ser diferente, muitos autores aproveitaram essa nova moda para colocar na disputa os seus livros. A partir disso, os leitores nunca tiveram tantas opções de leitura do gênero como nos últimos anos. Talvez por isso, é que a maioria dos livros acabam sempre soando como uma história antiga, que já foi exaustivamente explorada por todos os lados. Todavia, posso dizer com certeza: ainda há muito mais histórias originais lá fora e Legend está aí para provar isso.
Título: Legend
Série: Legend #1
Série: Legend #1
Autor (a): Marie Lu
Editora: Prumo
Páginas: 256
Ano: 2012
O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.
Day é o bandido mais procurado da
República e por isso sua cabeça está a prêmio. O único problema é que ninguém
conhece seu rosto e ele se tornou um fantasma persistente que assombra o
governo. Todavia, essa é justamente a sua intenção, já que ele precisa proteger
sua família e não pode se dar ao luxo de ter seu rosto refletido em milhares de
telões espalhados por todos os lugares. O que ele não contava é que fosse se
tornar vítima de uma perseguição implacável onde o crime pelo qual foi acusado,
era o único que ele não tinha cometido: o assassinato de Metias. Entretanto,
tudo na cena do crime leva June a acreditar que Day é o verdadeiro assassino do
seu irmão e isso era um fato que ela não podia esquecer. E é a partir da determinação em vingar
a morte de Metias que June sai em uma caçada pelos becos e ruas da República
com apenas um objetivo em mente: capturar Day. Contudo, o destino tem outros
planos para os dois e a verdade é mais chocante do que qualquer mentira contada
até então.
Uma das experiências mais gratificantes para um leitor é quando ele termina de ler um livro e nota que o autor não o enganou. Digo isso, porque as minhas últimas leituras me decepcionaram em um nível que quando eu comecei a ler Legend um misto de desconfiança e medo quase me fez desistir da leitura. Principalmente por esse livro se tratar de uma distopia – gênero pelo qual eu estou apaixonada – e que tinha uma premissa bastante instigante, já que a autora colocou os dois personagens em polos opostos não só no quesito social, mas também no de ideais. Contudo, aos poucos esses sentimentos foram me abandonando e eu me entreguei de fato a leitura que apesar de ter um ritmo acelerado, consegue envolver o leitor logo nas primeiras páginas com sua narração alternada entre Day e June.
E é a partir dos olhos deles que a Marie Lu apresenta ao leitor a República, a sociedade que em outrora foi o oeste dos Estados Unidos, mas que se rebelou contra os seus vizinhos e por isso vive como um governo a parte da nação, onde sua sociedade está irreversivelmente dividida em classes sociais. Um exemplo bem marcante dessa divisão são os próprios protagonistas, já que se de um lado temos Day, um garoto de 15 anos de idade, nascido na favela e com uma família a proteger, do outro temos June, uma garota de 15 anos de idade, nascida na alta sociedade e que é considerada um prodígio por todos. Todavia, além dos fatores econômicos e sociais, existe algo que determina sobremaneira o destino dos moradores da República: a prova. Já que a partir dos 10 anos de idade todas as crianças devem ter suas habilidades físicas e intelectuais testadas para que assim possam ser distribuídas entre aquelas que irão para um Campo de Trabalho e aquelas que serão reaproveitadas pelo governo e seus órgãos.
Como em todo livro distópico é no que diz respeito ao governo que encontramos os melhores conflitos e as mentiras mais deslavadas para conseguir manter o povo sob controle. No que pude perceber de Legend, apesar de fazer falta uma explicação mais detalhada a respeito da história da República, a autora conseguiu transmitir o clima de tensão e de corrupção a todo o momento. Tanto que apesar dela ir deixando pistas sobre o grande enigma do livro que é o assassinato de Metias, o leitor não consegue descobrir as verdadeiras razões para ele ter sido morto, tão pouco se o crime foi cometido por alguém de dentro ou de fora do governo, já que ele parece ser um funcionário exemplar da República e todos aqueles de quem o leitor poderia desconfiar, mostram uma verdadeira adoração por ele.
E é com esses conflitos em mente que o leitor se sente cativo da narrativa da Marie. Principalmente quando passamos a observar a maneira rica que ela construiu os seus protagonistas, que de longe, são os melhores personagens da história, já que como nem tudo pode ser perfeito, ela caiu sim no abismo dos clichês e criou personagens extremamente previsíveis e batidos, como por exemplo, o Jameson, que além de ser o típico garoto alienado pelo governo é também apaixonado pela protagonista. Contudo, essas escorregadas na criação de alguns personagens não diminuiu de maneira brusca a genialidade com que ela construiu uma história que tem mais ação que romance e mais acertos que falhas. Sendo assim, eu só posso encerrar dizendo que sim, Legend é um livro mais que indicado para todo aquele que não abre mão de fazer uma leitura distópica de qualidade.
Uma das experiências mais gratificantes para um leitor é quando ele termina de ler um livro e nota que o autor não o enganou. Digo isso, porque as minhas últimas leituras me decepcionaram em um nível que quando eu comecei a ler Legend um misto de desconfiança e medo quase me fez desistir da leitura. Principalmente por esse livro se tratar de uma distopia – gênero pelo qual eu estou apaixonada – e que tinha uma premissa bastante instigante, já que a autora colocou os dois personagens em polos opostos não só no quesito social, mas também no de ideais. Contudo, aos poucos esses sentimentos foram me abandonando e eu me entreguei de fato a leitura que apesar de ter um ritmo acelerado, consegue envolver o leitor logo nas primeiras páginas com sua narração alternada entre Day e June.
E é a partir dos olhos deles que a Marie Lu apresenta ao leitor a República, a sociedade que em outrora foi o oeste dos Estados Unidos, mas que se rebelou contra os seus vizinhos e por isso vive como um governo a parte da nação, onde sua sociedade está irreversivelmente dividida em classes sociais. Um exemplo bem marcante dessa divisão são os próprios protagonistas, já que se de um lado temos Day, um garoto de 15 anos de idade, nascido na favela e com uma família a proteger, do outro temos June, uma garota de 15 anos de idade, nascida na alta sociedade e que é considerada um prodígio por todos. Todavia, além dos fatores econômicos e sociais, existe algo que determina sobremaneira o destino dos moradores da República: a prova. Já que a partir dos 10 anos de idade todas as crianças devem ter suas habilidades físicas e intelectuais testadas para que assim possam ser distribuídas entre aquelas que irão para um Campo de Trabalho e aquelas que serão reaproveitadas pelo governo e seus órgãos.
Como em todo livro distópico é no que diz respeito ao governo que encontramos os melhores conflitos e as mentiras mais deslavadas para conseguir manter o povo sob controle. No que pude perceber de Legend, apesar de fazer falta uma explicação mais detalhada a respeito da história da República, a autora conseguiu transmitir o clima de tensão e de corrupção a todo o momento. Tanto que apesar dela ir deixando pistas sobre o grande enigma do livro que é o assassinato de Metias, o leitor não consegue descobrir as verdadeiras razões para ele ter sido morto, tão pouco se o crime foi cometido por alguém de dentro ou de fora do governo, já que ele parece ser um funcionário exemplar da República e todos aqueles de quem o leitor poderia desconfiar, mostram uma verdadeira adoração por ele.
E é com esses conflitos em mente que o leitor se sente cativo da narrativa da Marie. Principalmente quando passamos a observar a maneira rica que ela construiu os seus protagonistas, que de longe, são os melhores personagens da história, já que como nem tudo pode ser perfeito, ela caiu sim no abismo dos clichês e criou personagens extremamente previsíveis e batidos, como por exemplo, o Jameson, que além de ser o típico garoto alienado pelo governo é também apaixonado pela protagonista. Contudo, essas escorregadas na criação de alguns personagens não diminuiu de maneira brusca a genialidade com que ela construiu uma história que tem mais ação que romance e mais acertos que falhas. Sendo assim, eu só posso encerrar dizendo que sim, Legend é um livro mais que indicado para todo aquele que não abre mão de fazer uma leitura distópica de qualidade.
– Nunca lhe perguntei sobre esse nome de guerra. Porque Day?
– Porque cada dia significa novas 24 horas. Cada dia quer dizer que tudo é possível de novo. Você pode aproveitar cada instante, pode morrer num instante, e tudo se resume a um dia após o outro. – Ele olha para a porta aberta do vagão da ferrovia, onde faixas escuras cobrem o mundo. – E aí você tenta caminhar sob a luz. Pág. 253
--- Isabelle Vitorino ---


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