Virou Filme: Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

· Por Isabelle Vitorino
Baseado em um famoso musical da Broadway, Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet tornou-se um filme de terror e suspense nas mãos habilidosas de Tim Burton. Para esta versão da história, há quem ame e há quem odeie o resultado final, mas esta é uma longa discussão, por isso vamos à resenha!

Título: Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Título Original: Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street
Lançamento: 2008 (EUA)
Direção: Tim Burton
Atores: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Timothy Spall, Jamie Campbell, Laura Michelle Kelly, Sacha Baron Cohen.
Duração: 116 min.
Gênero: Musical, Suspense, Terror, Drama.
Benjamin Barker (Johnny Depp) passou 15 anos afastado de Londres, após ser obrigado a deixar sua esposa e sua filha. Ele retorna à cidade ávido por vingança, agora usando a alcunha de Sweeney Todd. Logo ele decide ir à sua antiga barbearia, agora transformada em uma loja de fachada para vender as tortas feitas pela sra. Lovett (Helena Bonham Carter). Com o apoio dela Todd volta a trabalhar como barbeiro, numa sala acima da loja. Porém o grande objetivo de Todd é se vingar do juiz Turpin (Alan Rickman), que o enviou para a Austrália sob falsas acusações para que pudesse roubar sua mulher Lucy (Laura Michelle Kelly) e sua filha.

Benjamin vivia uma vida plena e feliz com sua esposa Lucy e sua filha. Na época, ele não sabia, mas a beleza de sua jovem mulher havia chamado à atenção do juiz Turpin, que movido por uma profunda luxúria e contando com a colaboração do seu fiel capanga, trama uma armadilha para que Barker fosse preso e tivesse que se afastar de sua família. Sem saber qual fim levaram Lucy e Johanna, quinze anos depois dos terríveis acontecimentos, Benjamin volta à pragmática Londres na companhia de Anthony Hope, um jovem marinheiro que escuta a sua história com pesar e que oferece a sua amizade, apesar de que a vingança seja a única coisa que ele tenha em mente.  

E é por entre as ruas fétidas e sujas de Londres que Benjamin Barker se torna Sweeney Todd, um homem amargurado e vingativo que apesar de não saber como fazer para punir os responsáveis por sua desgraça, possui determinação o suficiente para fazer o inimaginável para obter aquilo que deseja. Contudo, é na figura nefasta da Senhora Lovett, uma jovem viúva que afirma de modo enfático fabricar as piores tortas de toda a cidade que ele encontra as respostas que procura e o impulso que precisa para transforma-se em: o barbeiro demoníaco da rua Fleet.

Eu não sou do tipo que pessoa que gosta de musicais, salvo algumas exceções como Les Misérables, a maioria me entedia até a morte. Contudo, esse fator está longe de ser o maior problema desse filme, já que para minha enorme surpresa eu me vi presa a jornada de Sweeney Todd & Cia, com mais afinco do que eu imaginei. O motivo para tanto é que o enredo é realmente bom e os personagens são os mais encantadores possíveis.

O personagem interpretado brilhantemente por Johnny Depp, não tem nada de heroico – apesar dele ter sido massacrado por um inimigo poderoso já nos primeiros minutos da história –, porém nem por isso ele deixa de despertar a simpatia do espectador, já que mesmo quando está com as lâminas ensanguentadas em suas mãos e sem nenhum traço de humanidade, nós enxergamos seu sofrimento por ter perdido a família que ele tanto amava. Contudo, em minha opinião, quem brilhou mesmo nesse longa foi a Helena Bonham Carter com sua personagem, a Senhora Lovett. Ela é o tipo de protagonista tão contraversa e cômica que o espectador não vê outra opção que não se divertir com ela não só pela sua lealdade ao Sweeney, como também, pelo seu modo nada convencional de rechear suas tortas – que deixaram de ser as piores de Londres para se tornarem o sucesso da temporada. Os demais personagens são interessantes e prendem a atenção do espectador com seus próprios planos e ideias. A jovem Johanna, por exemplo, desperta a comoção no espectador por viver com um passarinho engaiolado à espera de que o marinheiro Anthony encontre uma forma de libertá-la das mãos ferrenhas do inescrupuloso juiz Turpin.

Entretanto, infelizmente nem só de bons personagens se faz um bom filme. No caso de Sweeney Todd, as coisas desandaram totalmente no final, já que a cada minuto transcorrido, eu vi que alguns núcleos haviam sido esquecidos e que a história estava sendo levada para um lugar que apesar de ser o melhor desfecho, não amarrava todas as pontas soltas do filme. Ademais, apesar de Tim Burton continuar com suas ambientações acinzentadas e seus figurinos impecáveis, os efeitos utilizados na hora dos assassinatos cometidos por Sweeney, me deixou muito incomodada, o que acabou tornando o filme em um projeto rudimentar e não brilhante como poderia ter sido.



--- Isabelle Vitorino ---
Isabelle Vitorino — Compartilhando o que leio, sinto e penso.

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